Uma visita ao museu do holocausto: reflexões sobre passados traumáticos, ensino de história, direitos humanos e história pública

Autores

Palavras-chave:

Museu do Holocausto de Curitiba, História Pública, Direitos Humanos

Resumo

O objetivo é discutir as formas como se elabora e organiza a produção do conhecimento histórico no diálogo com o Museu do Holocausto de Curitiba, bem como as formas de disseminação nos diferentes espaços em que atua. Compreendendo os desafios impostos pela desinformação e pelas tentativas de revisionismo que deslegitimam o professorar e o fazer-se professor, buscamos ampliar o repertório de práticas pedagógicas capazes de reelaborar os sentidos sobre as questões que envolve a temática do Holocausto no ensino de história e que nos convida a assumir nosso compromisso ético-político-responsivo diante das demandas dos problemas socialmente vivos no presente. Na trilha da Shared Authority, conceito elaborado por Michael Frisch (1990) e um dos temas centrais da História Pública, percebemos e constatamos o caráter multifacetado com o qual a instituição lida com o Holocausto, bem como a pluralidade de materiais e possibilidades que ajudam a contar essa história.

Biografia do Autor

Márcio José Pereira, Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR)

Doutor em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), docente do Colegiado de História, do Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (PROFHIST) e do Mestrado do Programa de Pós-Graduação em História Pública (PPGHP) da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR campus Campo Mourão). Membro do grupo de pesquisa Direitos Humanos e Políticas de Memória (DIHPOM/CNPQ). 

Helena Ragusa, Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR)

Doutora em História pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), fez estágio Pós-Doutoral em História Pública pela Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR), docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e professora da Secretária de Educação do Estado do Paraná (SEED/PR).

Cyntia Simioni França, Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR)

Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), docente do Colegiado de História, do Mestrado e Doutorado Profissional em Ensino de História (PROFHIST) e do Mestrado do Programa de Pós-Graduação em História Pública (PPGHP) da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR, campus Campo Mourão). Coordenadora do Grupo de Pesquisa Odisseia.

Referências

ALBERTI, V. O professor de história e o ensino de questões sensíveis e controversas. In: COLÓQUIO NACIONAL HISTÓRIA CULTURAL E SENSIBILIDADES, 4., 2014, Caicó. Anais [...]. Caicó: UFRN, 2014. Disponível em: https://repositorio.fgv.br/server/api/core/bitstreams/40a56904-baa5-41f9-aebc-f996cae6b383/content. Acesso em: 27 jul. 2024.

ANDRADE, J. A. de; GIL, C. Z. de V.; BALESTRA, J. P. Apresentação: dossiê: ensino de história, direitos humanos e temas sensíveis. Revista História Hoje, São Paulo, v. 7, n. 13, p. 4–13, 2018.

BAUDRILLARD, J. A transparência do mal: ensaio sobre os fenômenos extremos. Campinas: Papirus, 1992.

BENJAMIN, W. Experiência e pobreza. In: BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. p. 114-119. (Obras escolhidas, v. 1).

BERGMANN, K. A história na reflexão didática. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 9, n. 19, p. 29-42, set. 1989/fev. 1990.

BLACK, J. The Holocaust: history and memory. Bloomington: Indiana University Press, 2016.

BORRIES, B. von. Coping with burdening history. In: BJERG, H.; LENZ, C.; THORSTENSEN, E. (ed.). Historicizing the uses of the past: Scandinavian perspectives on history culture, historical consciousness and didactics of history related to World War II. Bielefeld: Transcript, 2011. p. 165-188.

BRAGA, S. C. História, memória e elaboração do passado: culpa alemã e diagnóstico da civilização. In: ASSUNÇÃO, M. F. M. de; BRAGA, S. C.; GONÇALVES, M.; JUNIOR, E. R. Q. (org.). Teoria e história da historiografia no século XXI: ensaios em homenagem aos dez anos da Revista de Teoria da História. Vitória: Milfontes, 2020. p. 193-211.

CALVEIRO, P. La memoria como futuro. Actuel Marx Intervenciones, Santiago, n. 6, p. 65-74, 2008.

CARVALHO, B. L. P. de. História pública e redes sociais na internet: elementos iniciais para um debate contemporâneo. Revista Transversos, Rio de Janeiro, n. 7, p. 35-53, 2016.

CARVALHO, B. L. P. de. Nova historiografia do Holocausto. Café História, 2020. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/nova-historiografia-do-holocausto/. Acesso em: 27 jul. 2024.

DANZIGER, L. Shoah ou Holocausto: a aporia dos nomes. Arquivo Maaravi: Revista Digital de Estudos Judaicos da UFMG, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 50-58, 2007.

DIAS, A. A. M. Um mergulho no universo neonazista. [Entrevista concedida a] Luiz Sugimoto. Jornal da Unicamp, Campinas, 28 set. 2018. Disponível em: https://www.unicamp.br/unicamp/ju/noticias/2018/09/28/um-mergulho-no-universo-neonazista. Acesso em: 12 mar. 2020.

EHRLICH, M. [Entrevista concedida a Helena Ragusa Granado]. Curitiba, 10 jul. 2018.

EHRLICH, M. Trauma, transmissão e (re)construção: memórias da Shoah na comunidade judaica curitibana no pós-guerra. Aedos, Porto Alegre, v. 11, n. 24, p. 285-307, 2019.

EHRLICH, M. Museu e história pública: possibilidades, dilemas e desafios. In: PEREIRA, M. J. (org.). História pública: entre conceitos, lugares e experiências. Maringá: Edições Diálogos, 2023. p. 45-68.

FALAIZE, B. O ensino de temas controversos na escola francesa: os novos fundamentos da história escolar na França? Revista Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 6, n. 11, p. 224-253, jan./abr. 2014.

FRISCH, M. A história pública não é uma via de mão única, ou, De A Shared Authority à cozinha digital, e vice-versa. In: MAUAD, A. M.;

ALMEIDA, J. R. de; SANTHIAGO, R. (org.). História pública no Brasil: sentidos e itinerários. São Paulo: Letra e Voz, 2016. p. 59-71.

GAGNEBIN, J. M. Memória, história, testemunho. In: BRESCIANI, S.; NAXARA, M. (org.). Memória e (res)sentimento: indagações sobre uma questão sensível. Campinas: Editora da Unicamp, 2001. p. 85-94.

GAGNEBIN, J. M. História e narração em Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva, 2011.

GHERMAN, M.; ROCHA, M. F. Os que cavam encontram semelhantes: aproximações discursivas genocidárias entre Hamas e a extrema-direita israelense. Trieb: Revista da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, v. 22, n. 1/2, p. 175-192, 2023.

GUINSBURG, J. Scholem Aleikhem: a paz seja convosco! Revista USP, São Paulo, n. 84, p. 118-127, 2009.

HARTOG, F. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

HUYSSEN, A. Seduzidos pela memória: arquitetura, monumento, mídia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2000.

KATZ, S. T. (ed.). The shtetl: new evaluations. New York: NYU Press, 2009.

KNAUSS, P. Quais os desafios dos museus em face da história pública. In: MAUAD, A. M.; SANTHIAGO, R.; BORGES, V. T. (org.). Que história pública queremos? What public history do we want? São Paulo: Letra e Voz, 2018. p. 323-330.

KRIGSNER, M. Curitiba inaugura o primeiro Museu do Holocausto do Brasil. [Entrevista concedida a] SBT Manhã. SBT, 23 dez. 2011. 1 vídeo (3 min). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Wa4yCY12hsc. Acesso em: 14 jul. 2021.

LEGARDEZ, A.; SIMONNEAUX, L. L’école à l’épreuve de l’actualité: enseigner les questions vives. Paris: ESF, 2006.

LEVI, P. É isto um homem? Tradução de Luigi Del Re. Rio de Janeiro: Rocco, 1988.

LEWGOY, B. Holocausto, trauma e memória. WebMosaica, Porto Alegre, v. 2, n. 1, p. 50-56, 2010.

MENESES, U. T. B. de. Do teatro da memória ao laboratório da história: a exposição museológica e o conhecimento histórico. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, v. 2, p. 9-42, 1994.

MICHEL, J. Podemos falar de uma política de esquecimento? Revista Memória em Rede, Pelotas, v. 2, n. 3, p. 14-26, ago./nov. 2010. Disponível em: http://www.ufpel.edu.br/ich/memoriaemrede/site/revista/edicao-03/. Acesso em: 20 nov. 2020.

MILGRAM, A. Entrevista com Avraham Milgram. [Entrevista concedida à] Judeus Unidos Contra Bolsonaro, 17 dez. 2018. 1 vídeo. Disponível em: https://www.facebook.com/watch/?v=2304591676246517. Acesso em: 24 jul. 2024.

MUSEU DO HOLOCAUSTO DE CURITIBA. Jogo Monopólio. Curitiba: MHC, [202-?]. Disponível em: https://museuholocausto-my.sharepoint.com/:w:/g/personal/admin_museuholocausto_onmicrosoft_com/EaghezeeJjlGskBSTefp5w0BWCESfJAsAC2UeSVHuOHOJg?e=rcSzrp. Acesso em: 18 jul. 2024.

MUSEU DO HOLOCAUSTO DE CURITIBA. Nota de repúdio a atentado islamofóbico. Curitiba, 27 nov. 2021. Disponível em: https://www.facebook.com/MuseuShoaCuritiba/posts/4615271621913372. Acesso em: 27 nov. 2021.

MUSEU DO HOLOCAUSTO DE CURITIBA. Réplica de boneca do Gueto de Cracóvia. Curitiba: MHC, [202-?]. Disponível em: https://museuholocausto-my.sharepoint.com/:w:/g/personal/admin_museuholocausto_onmicrosoft_com/ER0nXSnrfH1Hk30cSb_xc6cBdSE5ePTzEw1zZ9AJLmrKJg?rtime=bxsZyoyP3Eg. Acesso em: 18 jul. 2024.

O GLOBO. Inteligência Artificial inventa e distorce memória do Holocausto, diz Unesco, que alerta para impacto entre jovens. O Globo, Rio de Janeiro, 18 jun. 2024. Mundo. Disponível em: https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2024/06/18/inteligencia-artificial-inventa-e-distorce-memoria-do-holocausto-diz-unesco-que-alerta-para-impacto-entre-jovens.ghtml. Acesso em: 1 set. 2024.

PINKUSS, F. A criatividade de 19 séculos da Diáspora Judaica. Revista de História, São Paulo, v. 35, n. 71, p. 3-18, 1967. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/view/126419/123312. Acesso em: 2 out. 2020.

PRESSLER, G. K. Benjamin, Brasil: a recepção de Walter Benjamin, de 1960 a 2005: um estudo sobre a formação da intelectualidade brasileira. São Paulo: Annablume, 2006. 406 p.

RECUERO, R. O capital social em rede: como as redes sociais na internet estão gerando novas formas de capital social. Contemporânea: Revista de Comunicação e Cultura, Salvador, v. 10, n. 3, p. 597-617, 2012. Disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/contemporaneaposcom/article/view/6295. Acesso em: 20 abr. 2020.

REISS, C. Museu do Holocausto de Curitiba. [Entrevista concedida a] ComTV UFPR. ComTV UFPR, Curitiba, 7 dez. 2015. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5kQkGQb_w94. Acesso em: 14 jul. 2024.

REISS, C. Luz sobre o caos: educação e memória do Holocausto. Curitiba: 7 Letras, 2018.

ROSEMBERG, J. Educación, memoria y derechos humanos: orientaciones pedagógicas y recomendaciones para su enseñanza. Buenos Aires: Ministerio de Educación de la Nación, 2010.

SANTHIAGO, R. Duas palavras, muitos significados: alguns comentários sobre a história pública no Brasil. In: MAUAD, A. M.; ALMEIDA, J. R. de; SANTHIAGO, R. (org.). História pública no Brasil: sentidos e itinerários. São Paulo: Letra e Voz, 2016. p. 23-35.

SCHMIDT, M. A. Aprendizagem da “burdening history”: desafios para a educação histórica. Mneme: Revista de Humanidades, Caicó, v. 16, n. 36, p. 10-26, jan./jul. 2015. Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/mneme/article/view/8094. Acesso em: 27 jul. 2024.

SCHURSTER, K. Um evento incomparável? A questão da singularidade do Holocausto e a assimilação do passado. Café História, 2020. Disponível em: https://www.cafehistoria.com.br/a-singularidade-do-holocausto-e-a-assimilacao-do-passado/. Acesso em: 11 jul. 2024.

SETEMY, A. Ensino de história, memória e direitos humanos: reflexões sobre a transmissão da memória através do ensino de passados traumáticos. Revista História Hoje, São Paulo, v. 10, n. 19, p. 12-29, 2021. Disponível em: https://rhhj.emnuvens.com.br/RHHJ/article/view/752. Acesso em: 13 set. 2024.

SOIFER, G. Ensaios sobre a arte digital. [S. l.]: WordPress, [202-?]. Disponível em: https://guitaensaios.wordpress.com/about/. Acesso em: 2 set. 2024.

TRANSPARÊNCIA.CC. Resumo da empresa: Associação Casa de Cultura Beit Yaacov. [S. l.], 2020. Disponível em: https://transparencia.cc/dados/cnpj/11365785000112-PR-associacao-casa-de-cultura-beit-yaacov/. Acesso em: 23 mar. 2022.

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS. O que significa o cordão de girassóis? Brasília, DF: TJDFT, [202-?]. Disponível em: https://www.tjdft.jus.br/acessibilidade/publicacoes/sementes-da-inclusao/o-que-significa-o-cordao-de-girassois. Acesso em: 15 set. 2024.

UNITED STATES HOLOCAUST MEMORIAL MUSEUM. Image of a doll given to Zofia Burowska by her parents in the 1930s which she kept with her while living in the Wolbrum and Krakow ghettos. Washington, DC: USHMM, [202-?]. Disponível em: https://collections.ushmm.org/search/catalog/pa1091321. Acesso em: 15 set. 2024.

WANDERLEY, S. O entrelugar do aprendizado escolar de história: uma perspectiva de história pública. Revista História Hoje, São Paulo, v. 9, n. 18, p. 125–144, 2020.

WINTER, J. M. Public history and historical scholarship. History Workshop Journal, Oxford, n. 42, p. 169-172, 1996. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/4289472. Acesso em: 7 ago. 2024.

Downloads

Publicado

29-10-2026

Edição

Seção

Artigos (fluxo contínuo)