Cultura Caipira: rupturas e permanências e suas potencialidades educacionais no Ensino Básico
Palavras-chave:
Cultura caipira, Educação, Indústria cultural, Tradições regionaisResumo
O presente artigo buscou analisar as possibilidades pedagógicas no ensino básico partindo de um segmento abstraído da cultura regional, na qual a comunidade escolar está inserida, e cujo enfoque nas tradições caipiras foi objeto de estudo em uma unidade escolar de ensino público. Assim, o trabalho objetivou tecer reflexões sobre as transmutações culturais da sociedade contemporânea. Como contraponto e resistência ao predomínio hegemônico da cultura digital hodierna, em detrimento da preservação das tradições caipiras e dos valores nelas implícitos, propôs-se a articulação curricular entre escola e comunidade, como meio de apropriação crítica do conhecimento histórico em sua totalidade, considerando-se as peculiaridades locais. Os resultados apontam as carências de investimento em estudos sobre Memória Local/Regional, pelos quais os sujeitos históricos se encontram situados culturalmente dentro da própria comunidade escolar.
Referências
ADORNO, T. W; HORKHEIMER, W. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos Indústria Cultural: o esclarecimento como mistificação das massas. Trad. Guido de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1947.
BARBOSA, A. S. A propósito de um estatuto para a história local e regional: algumas reflexões. In: Semana de História da UNESP/Franca, Mesa Redonda, 12.: “Redescobrindo o Brasil: os desafios da história local e regional”, out. 1998, Franca. Anais... Franca, SP, out. 1998.
BRASIL. Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850. Dispõe sobre as terras devolutas do Império. Coleção das Leis do Império do Brasil (CLBR), Secretaria de Estado dos Negocios do Imperio, 20 set. 1850, reg. à fl. 57, livro 1º, Actos Legislativos, em 2 de outubro de 1850.
______. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: história. Brasília: Ed. MEC / SEF, 1998. 108 p.
______. Ministério da Educação (MEC). Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Brasília, DF: Ed. MEC, 2018. 600 p.
CÂNDIDO, A. Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação de seus meios de vida. 2. ed. São Paulo: Ed. Duas Cidades, 2010. 284 p.
COSTA, D. R. A sobrevivência de traços da cultura caipira no nordeste paulista: lembranças do Districto de Crystaes.2009. 188 f. Dissertação (Mestrado em História) – Faculdade de História, Direito e Serviço Social, Universidade Estadual Paulista, Franca, SP, 2009.
CAMPOS, J. T. Uma pesquisa pioneira para a compreensão da cultura caipira. Estud. av., São Paulo, v. 26, n. 76, set./dez. 2012.
DEMARTINI, Z. B. F. Cidadãos analphabetos: propostas e realidade do ensino rural em São Paulo na Primeira República. Caderno de Pesquisa, São Paulo, n. 71, p. 5-19, nov. 1989. In: CAMPOS, J. T. Uma pesquisa pioneira para a compreensão da cultura caipira. Estud. av., São Paulo, v. 26, n. 76, Sept./Dec. 2012.
GUERRA, L. A. Os significados de caipira. Rev. Tempo Social, São Paulo, v. 34, n. 2, p. 239-256, maio/ago. 2022.
KELLNER, D.; SHARE, J. Educação para a leitura crítica da mídia, democracia radical e reconstrução da educação. Educ. Soc., Campinas, v. 29, n. 104, esp., p. 687-715, out. 2008.
KOSIK, K. Dialética do concreto. 9. impr. (Brasil). Rio de Janeiro: Ed. Paz e Terra, 2011.
KRAUS, K. Aphorismen. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1986. In: ZUIN, A. A. S. A vingança do fetiche: reflexões sobre indústria cultural, educação pela dureza e pelo vício. Educ. Soc., Campinas, v. 27, n. 94, p. 71-90, jan./abr. 2006.
LOBATO, M. Urupês. 5. ed. São Paulo: Ed. Brasiliense, 2004.
MARQUES, V. P. M. A. À procura do Jeca Tatu. [Internet], 24 set. 2024. Disponível em: https://diplomatique.org.br/a-procura-do-jeca-tatu. Acesso em: 18 jan. 2025.
MARTINS, J. S. Capitalismo e tradicionalismo: estudos sobre as contradições da sociedade agrária no Brasil. São Paulo: Ed. Pioneira, 1975.
NEPOMUCENO, R. Música caipira, da roça ao rodeio. São Paulo: Editora 34, 1999.
PRADO JUNIOR. C. Formação do Brasil contemporâneo. 7. ed. São Paulo: Ed. Companhia das Letras, 2011. 444 p.
QUEIROZ, M. I. P. Bairros rurais paulistas, dinâmica das relações bairro rural-cidade. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1973.
RODRIGUES, F. Por uma aproximação entre demografia e cultura: deslocamentos populacionais, representações sociais e festas folclóricas no estado de São Paulo na década de 2000. In: Encontro de Estudos Populacionais, ABEP, 15., 2006, Caxambu, MG. Anais... Caxambu, MG, 2006.
SETÚBAL, M. A. Vivências Caipiras. Pluralidade cultural e diferentes temporalidades na terra paulista. São Paulo: Ed. CENPEC, 2005.
SOUZA, L. M. “Os desclassificados do ouro: a pobreza mineira do século XVIII”. In: CHAVES, E. A. A música caipira em aulas de História: questões e possibilidades. 2006. 164 f. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Paraná, Setor de Educação, Curitiba, PR, 2006.
TURCKE, C. Sociedade Excitada. Campinas: Ed. Unicamp, 2010.
ZILBERMAN, Regina. Monteiro Lobato e suas fases. Estud. Lit. Bras. Contemp., Brasília, n. 36, p. 141-152, jul./dez. 2010.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Ao submeter um artigo para publicação na Revista Educação e Cultura Contemporânea, o (s) autor(es) concordam com os seguintes termos:
I. O(s) autor(es) e o(s) eventual(is) coautor(es) conhecem e declaram concordar com as políticas editoriais da revista para a publicação de artigos e com os termos e diretrizes a seguir;
II. Os autores garantem que o trabalho não foi publicado anteriormente em meio eletrônico ou impresso, tampouco encaminhado para publicação em língua portuguesa em outros periódicos. Também asseguram que todos os autores participaram na elaboração intelectual de seu conteúdo;
III. Os artigos publicados representam, exclusivamente, a expressão do ponto de vista de seus autores e não a posição da Revista Educação e Cultura Contemporânea ou do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estácio de Sá;
IV. É responsabilidade do(s) autor(es) assegurar que o manuscrito não contenha elementos que revelem sua identidade, garantindo a revisão cega durante o processo de avaliação por pares. Para isso, devem ser adotadas as seguintes medidas: remover nomes de autores, afiliações institucionais e quaisquer informações pessoais do corpo do texto e das notas de rodapé; substituir referências à própria produção por termos neutros, como “Autor(a)” ou “Autor(a), ano”, evitando citações que permitam a identificação; nomear o arquivo de submissão de forma neutra, sem mencionar o nome do(s) autor(es); e excluir metadados do documento que possam identificar a autoria (ex.: propriedades do arquivo em editores de texto).
V. O responsável pela submissão deve certificar-se do preenchimento completo e correto das informações de todos os colaboradores, conforme solicitado no sistema de submissão, incluindo: nome completo, filiação institucional atualizada, e-mail, link para o currículo Lattes (para participantes brasileiros), ORCID e minicurrículo;
VI. O(s) autor(es) comprometem-se a submeter o manuscrito utilizando exclusivamente o template oficial disponibilizado pela Revista Educação e Cultura Contemporânea (REEDUC), assegurando o cumprimento integral das normas de formatação exigidas. Isso inclui a padronização de margens, fonte, espaçamento, estilo de citações e referências bibliográficas, conforme descrito nas Diretrizes para Autores. Submissões fora do padrão estabelecido poderão ser rejeitadas ou devolvidas para ajustes antes do encaminhamento à avaliação por pares.
VII. Caso tenha sido utilizado algum recurso de inteligência artificial (IA) durante a elaboração do manuscrito, o(s) autor(es) deve(m) declarar esse uso, seguindo as orientações do template e da seção "Declaração de Direito Autoral", disponíveis nesta página.