Contribuições foucaultianas para se pensar o presente: os restos, o cuidado e o ensino
Resumo
Vivemos em uma época em que perguntar sobre o que fazemos de nós mesmo parece soar estranho. Sobre esse lugar de ausência podemos pensar o que fazer, sobretudo, quando estamos diante do ensinar filosofia e nos deparamos com os impasses atuais sobre o que é válido pensar por alunos e por professores nessa atividade. Em geral, nas aulas de filosofia somente se considera válido pensar os problemas desenvolvidos tradicionalmente nesse campo disciplinar, sem que se interpele sobre o quanto a sua formalização concorreu para que fosse tratado de modo dissociado à vida. Este artigo discute o que faz com que um problema seja um problema válido, ou melhor, digno de ser tratado pela filosofia e de ser ensinado nas situações de ensino, pressupondo uma ampliação do que vem sendo considerado como tal e de sua associação com a vida. O seu objetivo é o de discutir de que modo é possível pensar aquilo que afeta mais diretamente nossa vida; pensar aquilo ao qual estamos ligados; pensar aquilo que está ligado à nossa própria experiência que, ao seqí¼estrar nosso pensamento, nos auxilia a pensar nossa própria existência. A hipótese que procura discutir é a de que, se os problemas podem surgir a partir dos acontecimentos produzidos pelos encontros, suscitados na vida e, também, na relação pedagógica, então, eles podem ser considerados como problemas filosóficos e propiciar um efetivo exercício do pensar em ato. Ao discutir essa hipótese, nos apoiamos no pensamento de Michel Foucault, especialmente nas noções de Ontologia do presente e Cuidado de si, para encontrar um lugar de resistência para pensar nosso presente e para propor outro modo de fazer e de ensinar a filosofar.Downloads
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