PESSOAS JURÍDICAS E A PRÁTICA DE CORRUPÇÃO TRANSNACIONAL: GARANTIA AO NE BIS IN IDEM

Autores/as

  • Jamile Bergamaschine Mata Diz Universidade Federal de Minas Gerais
  • Camila Braga Braga da Cunha Faculdade de Direito Milton Campos

DOI:

https://doi.org/10.5935/28.43.2025.10821

Palabras clave:

Corrupção. Ne Bis in Idem. Direito Internacional.

Resumen

A corrupção transnacional, quando praticada por pessoas jurí­dicas, causa efeitos nocivos à livre concorrência e ao desenvolvimento sustentável, tornando necessários que sua prevenção e combate sejam realizados de forma cooperativa entre os paí­ses. Questiona-se, na presente pesquisa, se a jurisprudência brasileira permitiria que as pessoas jurí­dicas sejam sancionadas internamente, quando os fatos já foram julgados em âmbito internacional. No primeiro tópico, apresentam-se apontamentos da legislação brasileira sobre à corrupção, com ênfase na Lei n. 12.846/2013 - Lei Anticorrupção. Após, analisam-se os instrumentos jurí­dicos internacionais sobre o tema, ratificados pelo Brasil, com enfoque nas definições de limitação de jurisdição de cada paí­s. Por fim, no terceiro tópico, analisa-se o posicionamento do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Habeas Corpus n. 171.118, que trata exatamente sobre a extensão do princí­pio do ne bis in idem na ocorrência de julgamento internacional, e as possí­veis consequências. Conclui-se que o princí­pio do ne bis in idem se traduz em uma garantia universal, não podendo a pessoa jurí­dica ser sancionada por idênticos fatos, contudo, se mantém seu dever de reparação integral dos prejuí­zos causados a todos os paí­ses alcançados por sua ação delituosa.

 

 

Biografía del autor/a

Jamile Bergamaschine Mata Diz, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutora (2005) em Derecho Público pela Universidad de Alcalá de Henares. Diretora do Centro de Excelência Europeu Jean Monnet UFMG (611700-EPP-1-2019-1-BR-EPPJMO-CoE). Coordenadora da Cátedra Jean Monnet de Direito Comunitário (565401-EPP-1-2015-1-BR-EPPJMOCHAIR). Professora adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais e da Fundação Universidade de Itaúna e ex-professora da Universidade Federal de Viçosa. Diretora da Catedra Jean Monnet de Derecho Comunitario UFMG. Coordenadora do GT-14 FOMERCO. Membro da Red de Universidades latinoamericanas. Realizou projetos cientí­ficos junto í s instituições da Comunidad Andina de Naciones e do Sistema de Integración Centroamericano. 

Camila Braga Braga da Cunha, Faculdade de Direito Milton Campos

Mestranda em Direito e Relações Econômicas pela Faculdade de Direito Milton Campos (MG). E-mail: camilabcunha.adv@gmail.com

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Publicado

2026-05-11

Cómo citar

Bergamaschine Mata Diz, J., & Braga da Cunha, C. B. (2026). PESSOAS JURÍDICAS E A PRÁTICA DE CORRUPÇÃO TRANSNACIONAL: GARANTIA AO NE BIS IN IDEM. Juris Poiesis - Qualis A3, 28(43). https://doi.org/10.5935/28.43.2025.10821