JUSTIÇA RESTAURATIVA NA FASE INVESTIGATÓRIA. Reflexões sobre a constitucionalidade da Resolução CNJ nº 225/2016

Auteurs-es

  • Derick Moura Jorge UENP
  • Samia Saad Gallotti Bonavides UENP

DOI :

https://doi.org/10.5935/28.43.2025.10496

Mots-clés :

Justiça restaurativa , notícia crime , fase investigatória , autoridade policial

Résumé

Por meio do método de abordagem hipotético-dedutivo e com base em pesquisa bibliográfica este artigo analisa a justiça restaurativa como alternativa ao sistema convencional punitivista, nos conflitos criminais, apontando os benefí­cios dela decorrentes, os quais se encontram calcados na reconstituição do ví­nculo comunitário, partindo do microcosmo dos relacionamentos disfuncionais, por meio do diálogo entre os envolvidos, podendo ainda ter a participação de pessoas do seu entorno, com a mediação de um facilitador. Propõe-se como elemento inovador e de impulsionamento das práticas restaurativas que a própria autoridade policial, tomando conhecimento do fato criminoso, já possa indicar os locais em que elas são realizadas, já na fase investigatória. Para tanto, como não há textos legais regulamentando este uso, que hoje se vale dos parâmetros da Resolução CNJ nº 225/16, que contém restrições a que a autoridade policial possa fazer esta indicação no iní­cio da investigação, houve a necessidade de ser analisada a constitucionalidade da normativa, especificamente neste aspecto, porque a própria resolução já teve sua constitucionalidade reconhecida. Mas o ponto que ressalta é que ela, sem ter o supedâneo de um texto legal, criou vedações para uma instituição que não responde hierarquicamente ao Poder Judiciário e, que não se encontra sujeita às determinações do CNJ, razão pela qual, neste aspecto, parece ser inconstitucional, além de não haver justificativa razoável para tal restrição, quando identificadas condições para a realização de um método restaurativo.

Bibliographies de l'auteur-e

Derick Moura Jorge, UENP

Mestrando em Ciência Jurí­dica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP/PR). Bacharel em Direito pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG/PR). Especialista em Direito do Trabalho e Direito Processual do Trabalho, Direito Penal e Criminologia e Gestão do Sistema Prisional. Delegado da Polí­cia Civil do Estado do Paraná. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8742-1147.

Samia Saad Gallotti Bonavides, UENP

Doutora em Ciência Jurí­dica pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP/PR). Professora do curso de direito e do Programa de Pós-graduação em Ciência Jurí­dica da UENP/PR. Procuradora de Justiça do MPPR. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-9413-2391.

Références

ACHUTTI, Daniel. Abolicionismo Penal e Justiça Restaurativa: do idealismo ao realismo

político-criminal. Revista de Direitos e Garantias Fundamentais, v. 15, p.33-69, 2014.

Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6136496. Acesso em 10 set.

2021.

AZEVEDO, Rodrigo Ghiringhelli de; PALLAMOLLA, Raffaella da Porciuncula.

Alternativas de resolução de conflitos e justiça restaurativa no Brasil. Revista USP, n. 101, p.

173-184, 2014. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/87825/90746.

Acesso em 30 ago. 2021.

BERTRAND, Marie-Andrée. Comments by Marie-Andrée Bertrand. In: FEEST, Johannes;

PAUL, Betina. Does Abolitionism Have a Future? Documentation of en email exchange

among abolitionists. Universidade de Hamburgo: 2007. Disponível em http://www.sozialwiss.

uni-hamburg.de/publish/IKS/KrimInstituteVereinigungenZs/Zusatzma terial.html. Acesso em

14 set. 2021.

BONAVIDES, Samia Saad Galotti. A justiça restaurativa como um novo modelo de prática

para a restauração do vínculo comunitário. Tese (Doutorado em Ciência Jurídica) –

Programa de Pós-Graduação em Ciência Jurídica, Universidade Estadual do Norte do Paraná,

Jacarezinho/PR, 2020. Disponível em: https://uenp.edu.br/pos-direito-teses-dissertacoes-

defendidas/direito-teses/16748-samia-saad-gallotti-bonavi des/file. Acesso em 10 set. 2021.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 67, de 03 de março de 2009. Aprova o

Regimento Interno do Conselho Nacional de Justiça e dá outras providências. Disponível em:

https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/124. Acesso em 10 ago. 2021.

BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Resolução nº 225, de 31 de maio de 2016. Dispõe

sobre a Política Nacional de Justiça Restaurativa no âmbito do Poder Judiciário e dá outras

providências. Disponível em: https://atos.cnj.jus.br/atos/detalhar/atos-normativos?documen

to=2289. Acesso em 10 jul. 2021.

BRASIL. Conselho Nacional do Ministério Público. Resolução nº 118, de 1º de dezembro de

2014. Dispõe sobre a Politica Nacional de Incentivo à Autocomposição no âmbito do

Ministério Público e dá outras providências. Disponível em:

https://www.cnmp.mp.br/portal/images/Resolu%C3%A7%C3%A3o_n%C2%BA_118_autoc

omposi%C3%A7%C3%A3o.pdf. Acesso em 12 jul. 2021.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 10 jul. 2021.

BRASIL. Decreto-lei no 1.002, de 21 de outubro de 1969. Código de Processo Penal Militar.

Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/Del1002.htm. Acesso em 11

jun. 2021.

BRASIL. Lei no 12.830, de 20 de junho de 2013. Dispõe sobre a investigação criminal

conduzida pelo delegado de polícia. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/

_ato2011-2014/2013/lei/l12830.htm. Acesso em 21 ago. 2021.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Declaratória de Constitucionalidade no 12.

Relator: Ministro Carlos Britto. Tribunal Pleno, julgado em 20/08/2009, publicado

em18/12/2009, Brasília. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?inci

dente=2358461. Acesso em 04 out. 2021.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Ação Direta de Inconstitucionalidade no 137., Relator:

Ministro Moreira Alves. Tribunal Pleno, julgado em 03/07/1997, publicado em 14/08/1997.

Brasília. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=1492213.

Acesso em 01 out. 2021.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. HC 84.548, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 21/06/2012.

Disponível em: http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2229923. Acesso em

19 out. 2021.

BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Medida Cautelar em Ação Declaratória de

Constitucionalidade no 12. Relator: Ministro Carlos Britto. Tribunal Pleno, julgado em

12/02/2006, publicado em 01/09/2006, Brasília. Disponível em: https://portal.stf.jus.br/

processos/detalhe.asp?incidente=2358461. Acesso em 04 out. 2021.

CARVALHO, Érika Mendes de; ÁVILA, Gustavo Noronha de. Falsos Bens Jurídicos e

Política Criminal de Drogas: Uma Aproximação Crítica. Conpedi Law Review, vol. 1, nº 10,

junho de 2016, p. 132–55. Disponível em: https://www.indexlaw.org/index.php/conpedire

view/article/view/3394/2910. Acesso em 16 set. 2021.

CASTRO, Marcos Vinícius Martins; SANTOS, Mariana Mello. O poder normativo do

Conselho Nacional de Justiça–análise da ação declaratória de constitucionalidade nº

12/DF. Direito UNIFACS–Debate Virtual, n. 131, 2011. Disponível em: https://revistas.

unifacs.br/index.php/redu/article/view/1480. Acesso em 15 set. 2021.

CHRISTIE, Nils. Conflicts as Property. In: The British Journal of Criminology, vol. 17, n. 1,

1977. Disponível em: https://juridica.mppr.mp.br/arquivos/File/MPRestaurativoEACultura

dePaz/Material_de_Apoio/Conflicts_as_Property_by_Nils_Christie.pdf. Acesso em 15 set.

2021.

CHRISTIE, Nils. Limits to Pain. The role of punishment in penal policy. Eugene (EUA):

Wipf and Stock Publishers, 1981. Disponível em: https://www.prisonpolicy.org/scans/limits_

to_pain/. Acesso em 12 set. 2021.

CRUZ, Hirlidan Luce Tainá Santos; MARTINS, Erlon Leal. Poder normativo do Conselho

Nacional de Justiça: limites constitucionais. Scientiam Juris, v. 1, n. 1, p. 25-35, 2013.Disponível em: https://doi.org/10.6008/ESS2318-3039.2013.001.0003. Acesso em 08 set.

2021.

D'AVILA, Fabio Roberto. Liberdade e segurança em direito penal. O problema da expansão

da intervenção penal. Revista Eletrônica de Direito Penal, 2013. Disponível em:

https://repositorio.pucrs.br/dspace/bitstream/10923/11270/2/Liberdade_e_seguranca_em_direi

to_penal_O_problema_da_expansao_da_intervencao_penal.pdf. Acesso em 21 set. 2021.

HULSMAN, Louk; CELIS, Jacqueline Bernat de. A Aposta por uma Teoria da Abolição do

Sistema Penal. In: Revista Verve, n. 8, 2005. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/

index.php/verve/article/view/5088. Acesso em 02 sete. 2021.

JOÃO, Camila Ungar; ARRUDA, Eloisa de Sousa. A justiça restaurativa e sua implantação

no Brasil. Revista da Defensoria Pública da União, n. 07, 2014. Disponível em:

https://revistadadpu.dpu.def.br/article/view/124. Acesso em 13 set. 2021.

LEONEL, Ricardo de Barros. Limites do poder regulamentar. Revista Justitia, v. 2, 2017.

Disponível em: http://www.revistajustitia.com.br/artigos/0y3351.pdf. Acesso em 28 set. 2021.

MACHADO, Leonardo Marcondes. Introdução crítica à investigação preliminar. Belo

Horizonte: Editora D' Plácido, 2018.

MIRANDA, Gladson Rogério de Oliveira. Ativismo judicial e poder normativo do

CNJ. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 10, p. 76947-76959, 2020. Disponível em:

https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/18053. Acesso em 15 set.

2021.

OLIVEIRA, Samyle Regina Matos; SANTANA, Selma Pereira de; CARDOSO NETO,

Vilobaldo. Da Justiça Retributiva à Justiça Restaurativa: Caminhos e descaminhos.

Argumenta Journal Law, Jacarezinho - PR, n. 28, p. 155-182, jul. 2018. ISSN 2317-3882.

Disponível em: http://seer.uenp.edu.br/index.php/argumenta/article/view/1359. Acesso em: 16

set. 2021.

ONU. Conselho Econômico e Social. Resolução nº 2002/12, de 24 de julho de 2002. Dispõe

sobre os princípios básicos para utilização de programas de justiça restaurativa em matéria

criminal. Disponível em: https://juridica.mppr.mp.br/arquivos/File/MPRestaurativoEACultura

dePaz/Material_de_Apoio/Resolucao_ONU_2002.pdf. Acesso em 23 ago. 2021.

PELEJA JUNIOR, Antônio Veloso. Conselho Nacional de Justiça e a Magistratura

Brasileira. Curitiba: Juruá Editora, 2009.

PINTO, Renato Sócrates Gomes. A construção da justiça restaurativa no Brasil: O impacto no

sistema de justiça criminal. Revista Paradigma, n. 19, 2010. Disponível em: https://revistas.

unaerp.br/paradigma/article/view/65. Acesso em 08 set. 2021.

PORTELLA, Alessandra Matos. Direito de punir: reflexões sobre os pressupostos e os fins da

pena. Revista do Direito Público, vol. 12, nº 3, dezembro de 2017, p. 16–57. Disponível em:

http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/direitopub/article/view/22407. Acesso em 10 ago.

2021.

SAMPAIO, José Adércio Leite. O Conselho Nacional de Justiça e a Independência do

Judiciário. Belo Horizonte: Del Rey, 2007.

SÁNCHEZ, Jesús-Maria Silva. A expansão do direito penal: aspectos da política criminal nas

sociedades pós-industriais. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.

SANNINI NETO, Francisco; HOFFMANN, Henrique. Independência funcional do delegado

de polícia. In FONTES, Eduardo; HOFFMANN, Henrique. Temas Avançados de Polícia

Judiciária, p. 37-50. Salvador: JusPodivm, 2017.

VITTO, Renato Campos Pinto de. Justiça Criminal, Justiça Restaurativa e Direitos Humanos.

In: SLAKMON, Catherine; DE VITTO, Renato Campos Pinto de; PINTO, Renato Sócrates

Gomes. (org.) Justiça restaurativa: coletânea de artigos. Brasília/DF: Ministério da Justiça e

Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), 2005. Disponível em:

https://carceraria.org.br/wp-content/uploads/2014/07/Coletanea-de-Artigos-Livro-Justi%C3%

A7a-Restaurativa.pdf. Acesso em 08 set. 2021.

ZEHR, Howard. Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça. Tradução de

Tânia Van Acker. São Paulo: Palas Athena, 2008.

ZOCCHI, Gerson Maurício. Atribuição residual da polícia militar na investigação policial de

crimes comuns. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 5, p. 26177-26197, 2020.

Disponível em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/9809.

Acesso em 28 jul. 2021.

Téléchargements

Publié-e

2026-05-11

Comment citer

Moura Jorge, D., & Saad Gallotti Bonavides, S. (2026). JUSTIÇA RESTAURATIVA NA FASE INVESTIGATÓRIA. Reflexões sobre a constitucionalidade da Resolução CNJ nº 225/2016. Juris Poiesis - Qualis A3, 28(43). https://doi.org/10.5935/28.43.2025.10496