IMPLICAÇÕES SUBJETIVAS DAS RELAÇÕES DE PODER NO CAMPO DO GÊNERO O DIREITO COMO NÃO- LUGAR DE VOZES FEMININAS

O DIREITO COMO NÃO- LUGAR DE VOZES FEMININAS

Autores

  • Ana Laura Marques Gervasio UFOP
  • Lorena Martoni Freitas UFMG
  • Juliana Evangelista de Almeida UFOP

DOI:

https://doi.org/10.5935/27.41.2024.10322

Palavras-chave:

mulheres, poderes, gênero, Direito, crime feminino.

Resumo

O presente artigo tem como tema a percepção da mulher enquanto sujeita ativa de atividades delituosas frente ao tratamento dado pelo Direito à problemática social do crescente número de mulheres sob tutela estatal. Para sua realização privilegiou-se a abordagem hipotético-dedutiva dentro de uma perspectiva interdisciplinar. Buscou-se reconhecer o potencial de uma analí­tica do poder realizada a partir de intersecções do gênero para repensar a percepção desses crimes, objetivando reposicionar as respostas sociais e institucionais, suplantando as barreiras patriarcais que dificultam o reconhecimento e a concretização de direitos dessas mulheres. Com o seu desenvolvimento observou-se a dificuldade de percepção das existências dessas mulheres por estudos acadêmicos e institucionais, como resultado de uma generalização violentadora das subjetividades, além promover um importante diálogo com elementos significativos para o avanço de debates que buscam a minimização do encarceramento, a promoção de existências prisionais dignas, da reinclusão social, da contenção de reincidência e, principalmente, o posicionamento das mulheres no centro dos debates jurí­dicos.

Biografia do Autor

Ana Laura Marques Gervasio, UFOP

Mestranda em Direito pela Universidade Federal de Ouro Preto, com bolsa pela agência CAPES, na linha de pesquisa Diversidade Cultural, Novos Sujeitos e Novos Sistemas de Justiça. Pós-graduada em Filosofia e Teoria do Direito pela PUC Minas (2021). Bacharela em Direito pela UFOP (2019). Pesquisadora do Grupo de Estudos em Saberes Decoloniais RESSABER-UFOP. Mediadora e Conciliadora (EJEF/TJMG, 2018).

Lorena Martoni Freitas, UFMG

Doutoranda em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais, com perí­odo de Doutorado Sanduí­che na Université Paris VIII financiado pela agência CAPES. Mestra e Bacharela em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais. Desenvolve pesquisas nas áreas de Filosofia Polí­tica, Teoria Social, e Teoria do Direito e do Estado, com enfoque em Filosofia Francesa Contemporânea e na Filosofia Italiana contemporânea

Juliana Evangelista de Almeida, UFOP

Doutora e Mestre em Direito Privado pela Pontifí­cia Universidade Católica de Minas Gerais. Especialista em Direito Civil pela Pontifí­cia Universidade Católica de Minas Gerais. Graduada Pela Pontifí­cia Universidade Católica de Minas Gerais. Professora Adjunta do Departamento de Direito da Universidade Federal de Ouro Preto (DEDIR/UFOP). Coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Direito Digital e Proteção de Dados DEDIR/UFOP. Coordenadora do NAJOP (NPJ/UFOP).

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Publicado

2025-03-18

Como Citar

Gervasio, A. L. M., Freitas, L. M., & de Almeida, J. E. (2025). IMPLICAÇÕES SUBJETIVAS DAS RELAÇÕES DE PODER NO CAMPO DO GÊNERO O DIREITO COMO NÃO- LUGAR DE VOZES FEMININAS: O DIREITO COMO NÃO- LUGAR DE VOZES FEMININAS. Juris Poiesis - Qualis B1, 27(41). https://doi.org/10.5935/27.41.2024.10322